terça-feira, 19 de agosto de 2014

Cuidados básicos de saúde


Designação da UFCD: Cuidados básicos de saúde

Código: 3308

Carga Horária: 25

Objetivos:

Prestar primeiros socorros e os cuidados básicos de saúde.

Método de avaliação:

2 Testes de avaliação e dois trabalhos individuais.




Cuidados básicos de saúde



Introdução


Este trabalho não só se destina aos meus saberes, como também, se destina a todos os meus colegas de turma de Técnicas de Cozinha/Pastelaria do Restaurante e, em especial, ao meu Formador Jordão Abreu que, de uma forma ou de outra, têm interesse em Primeiros Socorros e se preocupa com o bem-estar de todos os que o rodeiam.
E, acredito que os assuntos aqui abordados são do maior interesse para toda a comunidade, uma vez que podemos utilizar os conhecimentos adquiridos neste tipo de formação (UFCD) para o nosso trabalho ou em situações de emergência, na medida em que no Mundo em que vivemos a complexidade e a diversidade da sociedade começam a ser esmagadoras, tanto pelo que oferece como pelo que exige, abrem-se assim novos horizontes para riscos de sofrer acidentes e de presenciá-los.
Neste sentido, estar preparado e saber como agir perante as determinadas situações de acidente, podem representar não só um benefício para as pessoas, como para nós próprios.
A meu ver, torna-se, portanto, necessário ter conhecimentos dos Primeiros Socorros a aplicar em caso de surgirem os mais imprevisíveis acidentes, pois, por um lado, uma intervenção prematura e ignorante pode agravar as consequências da ferida, mas, uma ação racional e esclarecida pode atenuar os efeitos de trauma e, por vezes, salvar a vida.
Assim, compete a cada pessoa assumir as responsabilidades em função dos seus conhecimentos e das suas consequências. Claro que compete aos médicos intervirem em situações de lesões ou acidentes com consequências graves. Mas, nos minutos que se seguem aos acidentes menos graves, tento evitar o agravamento das lesões que aprendi com o meu formador Jordão Abreu em aulas práticas, para aliviar o sofrimento da pessoa e permitir que o seu transporte para o hospital se faça nas melhores condições.


Apesar de existirem muitos autores a definirem este conceito de Primeiros Socorros, na generalidade quase todas as definições convergem numa ideia global, independentemente de umas serem mais incompletas e outras mais completas ou de umas serem mais antigas e outras mais recentes.
Desta forma, Novaes e Novaes (1967) denomina “Primeiros Socorros ao tratamento aplicado de imediato ao acidentado ou portador de mal súbito, antes da chegada do médico”.
Já Pinto (1988) diz-nos que é “prevenir o agravamento da situação, do acidente e da vítima; salvar a vida da vítima”. Além das definições apresentadas anteriormente, podemos ainda encontrar outras mais recentes, como a de Bevan (1991) que é da opinião que: “Primeiros Socorros é a assistência prestada em caso de urgência a pessoas que sofreram acidentes ou outras lesões graves”.
Reis (1995) dá uma definição que de certa forma engloba as anteriores, dizendo: “Primeiro Socorro é o tratamento inicial e temporário ministrado a acidentados ou vítimas de doença súbita, num esforço de preservar a vida, diminuir incapacidade e minorar o sofrimento”.
Contudo, além destas definições, existem outras que referem as mesmas ideias, cujos autores são: Moffat (1999); Lamcombe (2000); Moreira (1998); Selys (não encontrei a data); e, Rosales (2000).



 


Palavras-Chave: Cuidados Básico de Saúde, Primeiros Socorros.

Suporte Básico de Vida


O suporte básico de vida foi um dos primeiros temas abordados em aula.
Devo dizer que, o enfermeiro Jordão Abreu, concedeu-nos um boneco para nós praticarmos a vítima em situação de paragem cardio-respiratória.
Primeiramente, inspecionei a vítima segundo o método VOSP.
VOSP - Ver, ouvir, sentir, pulso, este é sempre o exame primário que fazemos na vítima e, pelo qual, só disponho de 10 segundos para perceber se esta respira e tem pulsação.


Figura 1 – Método VOSP

Para traduzir isto de uma forma mais simplificada; verifico se a vítima está inconsciente a respirar e se tem pulsação, então coloco-a em PLS.
Devo salientar que, quando pratiquei a Posição Lateral de Segurança (PLS) num colega meu no Acordeon, conclui que esta deve ser utilizada como o já referi acima, a pessoas inconscientes, pelo que permite uma melhor ventilação, libertando as vias aéreas superiores e impede a queda da língua.
  
 

Figura 2 – Posição Lateral de Segurança             Figura 3 – Insuflação na Vítima 

Se no caso a vítima não respirar e tenha o pulso fraco e frequência baixa, ou sem pulso, inicio manobras de RCR.
O SBV tem uma sequência de procedimentos designado por ABC, ou seja:
A-  Abertura das vias aéreas
B-   Ventilação artificial
C-   Circulação artificial
Porém, não posso esquecer-me do algoritmo recomendado para o Suporte Básico de Vida (SBV) quando inicio as compressões e as insuflações, que são:
30:2 para dois socorristas; 15:2 para um Socorrista.
A maneira ideal para eu fazer as compressões é a seguinte:
E um, e dois, e três, e quatro, assim por adiante, nunca esquecendo-me de pôr o ambú na vítima para não me contaminar, caso esta tenha alguma doença que desconheça.

Figura 4 – Compressões

Contudo, para uma maior organização, obedeço sempre às normas do SIEM (Sistema Integrado de Emergência Médica) que é um conjunto de órgãos interligados e é internacionalmente representado por a Estrela da vida.
Por assim ser, a detenção, o alerta e o pré-socorro podem ser feitas por mim ou por qualquer outra pessoa.
Já na fase do Socorro, Transporte e na Unidade de Saúde Hospitalar é feita pelos especialistas ou profissionais de saúde.
Com este sistema (SIEM), os acidentados ou as vítimas recuperam mais rapidamente e com as melhores condições prestadas por estes especialistas.

Figura 5 – Estrela da Vida











Após algumas lições em aula e uma breve leitura no manual que o formador Jordão Abreu enviou-me por e-mail, deliberei que, uma ferida é uma solução de continuidade, quase sempre de origem traumática, que além da pele (ferida superficial) pode atingir o tecido celular subcutâneo e muscular (ferida profunda).
Por assim dizer, no desempenho da minha futura profissão de Cozinha/Pastelaria há sempre objectos cortantes, como as facas entre outros.
No entanto, antes de socorrer a vítima, devo lavar as mãos com sabonete.
Em seguida, pego no Soro Fisiológico esterilizado e lavo o ferimento, aplico o desinfetante liquido na ferida (Iodopovidona ou Água Oxigenada).
Depois, aplico compressas esterilizadas e fixo com adesivos.
Numa ferida penetrante do tórax, ponho um penso que impeça o ar de entrar no tórax.
Caso o meu colega de curso tiver um corpo estranho no olho, lavo o olho do canto lacrimal para o canto temporal.
Nas Hemorragias é quando há uma fuga de sangue devido a um corte de artérias, veias ou capilares. A Hemorragia pode ser interna ou externa, implicando atitudes diferentes por parte da pessoa que socorre.
Deve-se suspeitar sempre de hemorragia interna quando não se vê escorrer sangue, mas, a vítima apresenta um ou mais sinais e sintomas como:
A sede, sensação de frio, pulso progressivamente mais rápido e fraco, palidez, arrefecimento, zumbidos, alteração do estado de consciência.
Porém, acalmo o colega e mantenho-o acordado, desaperto a roupa e mantenho-o confortavelmente aquecido. Coloco-o em posição lateral de segurança e não dou nada a beber ou comer.
Já nas hemorragias externas, calço as luvas descartáveis e deito horizontalmente a vítima no chão.
Aplico sobre a ferida uma compressa esterilizada ou, na sua falta, um pano lavado, exercendo uma pressão firme com uma ou as duas mãos, com um dedo ou ainda com uma ligadura limpa, conforme o local e a extensão do ferimento.
Se o penso ficar saturado de sangue, coloco outro por cima, mas sem retirar o primeiro. Se a hemorragia parar, aplico um penso compressivo sobre a ferida.
Se se tratar de uma ferida dos membros com hemorragia abundante pode ser necessário aplicar o Garrote.
O garrote pode ser de borracha ou improvisado com uma tira de pano estreita ou uma gravata. Com o garrote aplicado, devo aliviar de 15 em 15 minutos, mantendo-o aliviado de 30 segundos a 2 minutos, conforme a intensidade da hemorragia.

Desde sempre, quer seja no trabalho ou em casa, estou sujeito a queimaduras.
Na cozinha, normalmente nós nos queimamos nas panelas, vapores quentes, fornos em altas temperaturas, também poderá ocorrer um incêndio e ficarmos carbonizados.
Portanto, a gravidade da queimadura depende de vários factores:
Da zona atingida pela queimadura, da extensão da pele queimada e da profundidade da queimadura.
De acordo com a profundidade atingida, as queimaduras classificam-se em 3 graus.
As queimaduras do 1º grau são as menos graves, apenas a camada externa da pele epiderme é afectada.
Arrefeço a região queimada com soro fisiológico ou, na sua falta, com água fria corrente ou cubos de gelo, até a dor acalmar e aplicar uma pomada hidratante.
Nas queimaduras do 2º grau juntam-se a existência de bolhas com líquido ou flictenas. Esta queimadura já atinge a derme e é bastante dolorosa.
Faço exactamente o mesmo tratamento da queimadura de 1º grau e lavo cuidadosamente com um anti-séptico (não aplico álcool) e não posso rebentar as bolhas.
Já nas queimaduras do 3º grau em relação às características das queimaduras dos graus 1 e 2, juntam-se a destruição dos tecidos.

                                                                     Figura 6 – Definição de Queimaduras  

A queimadura atinge tecidos mais profundos provocando uma lesão grave e a pele fica carbonizada (queimadura muito grave). A vítima pode entrar em estado de choque.
Contudo, repito os passos de tratamento dos graus 1 e 2, mas, se a queimadura for muito extensa, envolvo a vítima num lençol lavado e que não largue pelos, e
previamente humedecido com soro fisiológico. Esta situação é grave, pelo que, necessita de transporte urgente para o Hospital.
Numa queimadura dos olhos, coloco um penso oclusivo humedecido.

     

Figura 7 – Queimaduras no Braço                  Figura 8 – Queimaduras na Mão

Doenças súbitas


No que respeita a este tema abordado e, no qual, foi falado em aula, conclui que existem vários tipos de doenças súbitas.
Destas destaca-se:
EAM – Enfarte Agudo do Miocárdio
AVC – Acidente Vascular Cerebral
Diabetes – Hipoglicémia e Hiperglicémia
Epilepsia
Estado de Choque
Lipotímia

Se bem me lembro, o formador Jordão Abreu explicou-me que o estado de choque caracterizava-se por insuficiência circulatória aguda, com deficiente oxigenação dos órgãos vitais.
Em que o estado de choque pode ocorrer quando a vítima está consciente ou inconsciente. Todo o acidentado pode entrar em estado de choque, progressiva e insidiosamente, nos minutos ou horas que se seguem ao acidente.
Não tratado, o estado de choque pode conduzir à morte.
No caso da vítima consciente, sei que devo deita-la em um local fresco e arejado, desaperto algumas peças de roupa, e tento manter a temperatura normal do corpo.
Levanto as pernas a 45º e vou conversando com a vítima para a acalmar.
No caso de a vítima inconsciente, coloco-a em posição lateral de segurança e, depois, levo a vítima para o Hospital.
Na Asfixia ou sufocação, esta está relacionada com a dificuldade respiratória que leva à falta de oxigénio no organismo. As causas podem ser variadas, sendo a mais vulgar a obstrução das vias respiratórias por corpos estranhos (objetos de pequenas dimensões, alimentos mal mastigados e afins).
Umas das primeiras etapas que devo fazer é a manobra de Heimlich, ou seja, coloco-me atrás da vítima, passando-lhe o meu braço à volta da cintura e, depois, fecho os meus punhos e coloco-os mais ou menos acima do umbigo. Repito este processo Cinco vezes alterando com as palmadas nas costas e, em seguida, examino a boca.






Envenenamento


Conforme foi explicado pelo enfermeiro Jordão Abreu, e do qual me lembro, é que o envenenamento é o efeito produzido no organismo por um veneno, quer seja introduzido por via digestiva (sólidos, líquidos), por via respiratória (gases tóxicos), ocular (líquidos, aquosos), sanguínea (seringas, picadas de animais) ou pela pele (pesticidas).
Existem vários tipos de veneno que se podem encontrar facilmente em produtos industriais, agrícolas, domésticos, produtos naturais e em produtos animais.
Contudo, existem alguns neutralizantes para cada tipo de veneno, como por exemplo, o Leite (neutraliza os ácidos), Sumo de limão (neutraliza a lixivia) e o Carvão activado (que é um antídoto universal com acção sobre muitos venenos).





Segundo o que li no manual, um traumatismo é uma lesão ou ferida mais ou menos extensa, produzida por acções violentas, de natureza física ou química, externa ao organismo.
Esta também pode ser considerada um conjunto de perturbações do organismo resultante de uma causa externa de forte abalo físico.
No entanto, todas as fracturas devem ser socorridas com muito cuidado, pois movimento incorrectos, executados sem conhecimentos podem agravar as lesões dos tecidos adjacentes. As fracturas podem ser causadas por força directa ou indirecta. Sempre que há suspeita de fractura, o osso deve ser imobilizado.
No caso de um 1º socorro de uma fractura exposta devo imobilizar acima e abaixo do foco de fractura.
Numa fractura dos ossos do antebraço imobilizo as articulações do cotovelo e punho.

                 Figura 9 – Imobilização no Fêmur (coxa)

Conclusão


Com a abordagem deste tema, espero sensibilizar todos os meus colegas de Técnicas de Cozinha/Pastelaria do Restaurante para a importância destes acontecimentos que acontecem no nosso dia-a-dia.
Espero que as informações aqui deixadas possam ser úteis em algum momento da nossa profissão, pois, a vida, é preciosa e se neste nosso percurso podermos torna-las menos penosas e auxiliar os que nos rodeiam melhor.

O meu obrigado a todos

                                         Jorge Palma