Designação da UFCD: Confecção de produtos de padaria
Código: 4679
Carga Horária: 25
Objetivos:
Confeccionar produtos de padaria.
Método de avaliação:
Várias confecções de produtos de padaria e 1 trabalho individual
Confecção de produtos de padaria
Durante este módulo de confecção de
produtos de padaria de 25 horas, devo dizer que, já tinha feito algumas confecções
de vários tipos de pão no módulo de preparação de massas lêvedas especiais de
pastelaria e padaria,
no entanto, este módulo foi o seu
complemento.
Relembrei que a farinha de trigo que
devo utilizar para o fabrico de pães ou para massas fermentadas é quase sempre
a farinha de trigo 65.
Após alguns saberes adquiridos no decorrer destas
sessões de formação, devo dizer que, a farinha de trigo tem uma característica
muito própria que é a quantidade de proteínas e a qualidade do amido, com isso,
posso mesmo afirmar que a farinha T65 terá uma qualidade igual ou superior às outras farinhas.
O grão de trigo e o único grão que
possui todas as características para a elaboração de massas fermentadas, pois
contém todos os ingredientes para uma boa massa.
Aprendi também que, o Amido oferece volume
e alimenta o fermento tornando o pão mais dourado quando vai ao forno.
O formador, Domingos Cruz,
disse-me que o glúten e as proteínas são componentes que garantem o
desenvolvimento da massa sempre com perfeição.
Explicou-me também que, o grão de trigo
é dividido em três partes: germe, casca e endosperma.
E que o fermento é um agente do
crescimento e é composto por organismos vivos, visíveis somente através do
microscópio.
Nas sessões práticas, a
prendi a misturar todos os ingredientes para fazer as várias confecções de pão.
A temperatura da massa pode variar de
27°C a 30°C, depois de misturada, coloca-se a massa sobre a mesa para passar
pelas outras operações.
Não fazia a mínima ideia que, o melhorante
era uma substância alimentar natural que, auxilia a elaboração do pão para
proporcionar melhor desenvolvimento da massa e confere uma melhor textura,
aroma, sabor, coloração e durabilidade aos produtos.
Já o sal, nos produtos de padaria, é um
ingrediente indispensável, pois exerce várias funções; funções essas de:
É um Agente fortalecedor de glúten e faz com
que este retenha o gás produzido pelo fermento; Controla o tempo de
fermentação; Realça o sabor do pão e prolonga o tempo de duração e ajuda a
conservar o pão.
Através do que foi-me ensinado pelo
formador, Domingos Cruz, eu, como futuro técnico de Cozinha/Pastelaria sinto-me
preparado para enfrentar quase todas as confecções de padaria.
No entanto, fiz algumas pesquizas e conclui que o pão
foi quase certamente um dos primeiros alimentos já elaborados e relativamente
transformados pelo homem, na transição da Pré-História para a História.
Uma vez controlado o fogo, passar às
carnes e verduras grelhadas ou cozidas foi fácil. Mas a panificação já
pressupõe um estágio cultural mais complexo. Mais ainda a panificação
fermentada.
Apesar do rápido progresso dos
arqueólogos que, nos últimos 50 anos, recuperaram milhares de informações sobre
os primitivos homínidas, o que se sabe sobre suas habilidades no preparo dos
alimentos ainda é muito pouco e, em boa parte, baseado mais em conjecturas do
que em informações perfeitamente documentadas.
As evidências arqueológicas são portanto
abundantes mas insuficientes para descreverem com segurança onde e como se
passou as simples recolha e do consumo in natura de grãos selvagens ao seu
cultivo, moagem e panificação. O mais provável é que as primeiras formas um
pouco mais elaboradas do consumo de grãos tenham sido papas e mingaus obtidos a
partir do cozimento na água.
Mesmo sobre a origem do cultivo dos
cereais e da consequente descoberta da panificação, ainda há muita
controvérsia.
A maioria dos historiadores da
Pré-História, inclusive o clássico Gordon Childe concordar com a origem
mesopotâmica do cultivo dos cereais e da panificação, ao longo de um processo
histórico que teria durado de 8000 a 4500 anos antes do nosso calendário
actual.
Contudo, bem mais recentemente,
Louis-René Nougier cita escavações arqueológicas realizadas em Rouffignac, na
França, nas quais foram encontrados resíduos, datados pelo método do Carbono
14, de pouco mais de 7000 anos A.C. cereais
Os nossos indígenas, ainda
neolíticos (pedra polida). Já dominavam o cultivo e a fermentação do milho. Os
astecas do México, muito mais adiantados, já na idade dos metais, transformavam
o milho em farinha e esta última em várias modalidades de "pães".
Então, por que não admitir que também na
Eurásia os grãos e várias formas primitivas de pão tivessem sido atingidos
simultaneamente em diferentes culturas? Quanto à panificação propriamente dita,
aquela do pão fermentado e consequentemente mais macio, tudo indica que tenha
acontecido por acaso, ou por engano.
Bastou que alguém tivesse esquecido uma
quantidade de farinha húmida por um pouco mais de tempo antes de levá-la ao
calor para que essa massa de alguma forma fermentasse espontaneamente,
produzindo bolachas ou focacce bem mais macias e saborosas do que de costume.
Estava descoberto o princípio básico do pão. Jean François Revel, no seu
erudito 3.000 anni a tavola, parece sofrer os efeitos das contradições dos
historiadores.
Num parágrafo menciona resíduos de
bolachas (focacce) carbonizadas que foram encontradas em escavações
arqueológicas da Europa Ocidental.
No parágrafo seguinte passa a defender a
tese duvidosa de que a panificação fermentada teria sido descoberta pelos
judeus. O certo é que, no ano 500 a.C., Ecáteo de Mileto já chamava aos
egípcios de "comilões de pão", como foram chamados por muitos outros
povos seus contemporâneos.
Mas será com os gregos que o pão passará
a desempenhar um papel relevante na história da gastronomia. No início do
milénio anterior ao do calendário civil actualmente em uso, já se tinham
descoberto e inventado todas as condições para o progressivo aperfeiçoamento do
pão. Já se conhecia a técnica da moenda, mesmo que grosseira, para produzir
farinha. Já se conhecia a peneira para separar as cascas e demais resíduos dos
cereais e para a obtenção de diferentes tipos de farinhas. Também estava bem
aperfeiçoado o forno e, finalmente, já estava desenvolvida a ideia de
condimentar o pão com toda sorte de ervas aromáticas, frutas e azeite.
Segundo Ravel, apoiado em Ateneu, os
gregos da época clássica já contavam com 72 variedades de pão. Ravel cita o
daraton, pão da Tessália sem fermento, o phaios, pão preto, o bromites, feito
de aveia selvagem, e o syncomiste, pão grosseiro feito com os restos dos grãos
retidos nas peneiras, o crimnites, feito de farinha de cevada, e o semidelites,
o pão nobre feito com a flor da farinha de trigo fina, peneirada.
Em Atenas sempre se vendeu
simultaneamente a matza, mais grosseira e mais barata, de farinha de cevada, e
o artos, o pão propriamente, bem mais caro. Os pães encontrados em escavações
arqueológicas são geralmente referidos como focacce (corruptela de fuoco =
fogo), pois eram cozidos sobre pedras aquecidas ou sobre brasas.
Ora, as foccace, ázimas ou fermentadas,
ainda sobrevivem audazes e deliciosas em muitas cidades italianas do presente.
Tão recentemente quanto 1989, tive a felicidade de vê-las comparecer no couvert
de restaurantes.
As servidas hoje são redondas e muito
parecidas com a pita, o "pão sírio", cada vez mais comum em muitas
cidades brasileiras. Apenas são ainda mais finas, torradas e crocantes.
Voltando à Grécia antiga e aos seus pães, estes eram condimentados com sementes
de papoula, erva-doce, anis, uva-passa, alecrim, alcaparras, folha de couve,
alho, cebola, cominho e muitos temperos mais.
Os gregos eram considerados como mestres
da panificação que, em Roma durante todo o império, os padeiros geralmente eram
gregos. A principal contribuição romana à arte da panificação é bastante
curiosa e não me consta que tenha sobrevivido até nossos dias. Além de pequenas
perfumados, os romanos desenvolveram o inusitado "pão picentino",
resultado de uma bizarra composição de um cereal chamado zea com um tipo
particular de argila, chamada creta, recolhida na região entre Nápoles e
Pozzoli. Consta que o imperador Augusto pagava aos napolitanos 20.000
sestércios anuais para se assegurar a propriedade exclusiva dessa argila.
Quanto ao pão mais nosso conhecido, não
demorou para que os romanos assimilassem (junto com tantas outras coisas, quase
tudo) o antigo costume grego de fazer do pão o alimento principal do desjejum,
chamado jentaculum.
Foi Marcial quem registrou:
"Surgite! Iam vendit pueris jentaculum pistor" ("Acordem! O
padeiro já está vendendo o desjejum às crianças").
Os pistores gregos já tinham aprendido a
dar aos seus pães as formas mais atraentes: cogumelos, meias-luas, tranças e
diversas formas geométricas. Na Idade Média, a coisa se complica, na mesma
medida em que é um período muito mais complexo e diferenciado do que os nossos
professores do secundário jamais conseguiram nos transmitir. Em certas regiões
da Itália, do Sacro Império Romano Germânico e da Inglaterra, a cultura
material regrediu tanto que o pão voltou a tornar-se pobre e grosseiro, quase
ao nível das papas pré-históricas.
Mas em lugares determinados,
principalmente nos portos e nas cidades episcopais, o alto clero, os mercadores
e os nobres preservavam para si muitos dos pães e quase um milénio antes.
A partir do Renascimento, esse pão
aristocrático voltará lentamente a se difundir, com todo o seu perfume
impregnando as casas burguesas, enquanto assava. Até meados do século 19, para
os optimistas, ou até a recuperação económica que se seguiu à Segunda Guerra
Mundial, para os mais realistas, o pão, nas suas mais diferentes formas,
constituiu o alimento básico de toda a humanidade europeia. Daí também o
sentido místico-religioso que o pão sempre teve em tantas culturas.
Do período bíblico até o presente os
judeus abençoavam: "Baruch ata Adonai... v'tzivanu l'hamotzi lechem min
haarets" (Bendito sejas Senhor... que nos ordenaste tirar o pão da
terra"). Para os católicos o pão, ou a hóstia que o simboliza,
transformou-se, na comunhão, no próprio corpo do Cristo. Judeus e cristãos
santificaram o pão e o respeitam misticamente, não jogando fora ou ensinando as
crianças a beijarem-no quando cai no chão. Tornou-se "de fato" o
símbolo da vida e da sobrevivência.
Na toda a Europa, por séculos, gerações
e gerações sobreviveram basicamente de pão, quando muito, acompanhando por um
bocado de carne, um pouco de alho, alguma cebola, um gole de leite ou um pedaço
de queijo.
Desde a Pré-história que o pão é
popularmente conhecido. É deu uma massa feita com farinha de cereais, água e
sal. É um dos alimentos mais antigos de que se tem notícia. Há milhares de anos
antes de Cristo, os grãos de cereais plantados pelo homem, eram moídos com a
ajuda de duas pedras. Estes pães não podiam ser consumidos logo depois de
prontos porque eram muitos amargos.
Era preciso lavá-los varias vezes em
água fervente e, então se fazer broas para secar ao sol. Os primeiros pães
foram assados sobre pedras quentes ou debaixo de cinzas. Hoje, apesar da
modernidade e sofisticação, o mais simples dos alimentos ainda mantém sua
mistura básica inicial. No Egipto, o pão era o alimento básico. Segundo
Heródoto, era amassado com os pés, e normalmente feito de cevada ou espelta,
espécies de trigo de qualidade inferior. Os pães preparados com trigo de
qualidade superior eram destinados apenas aos ricos.
Com o pão no Egipto também se pagavam
salários: um dia de trabalho valia três pães e dois cântaros de cerveja. Os
judeus também fabricavam seus pães na mesma época, porém não utilizavam
fermentos por acreditarem que a fermentação era uma forma de putrefacção e
impureza. Os Jeovás só ofereciam pão ázimo, sem fermento, o único que é
consumido até hoje na Páscoa.
Na Europa o pão chegou através dos
gregos.
O pão romano era feito em casa, pelas
mulheres, tendo passado, posteriormente, a ser fabricado em padarias públicas,
surgindo, então, os primeiros padeiros.
Isto teria acontecido, segundo o
filósofo romano Plínio, o Antigo, depois da conquista da Macedónia, em 168 a.C.
Na Antiguidade, os deuses - e os mortos - egípcios, gregos e romanos eram
honrados com oferendas de animais, flores em massa de pão. Era comum, ainda,
entre egípcios e romanos, a distribuição de pães aos soldados, como complemento
do soldo, tendo perdurado este costume até à Idade Média.
Estas foram apenas algumas das muitas confecções
que fizemos
.






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