Designação da UFCD: Preparação de cremes de pastelaria e recheios
Código: 1755
Carga Horária: 25
Objetivos:
Preparar cremes de pastelaria e recheios.
Método de avaliação:
Várias confecções de Preparação de cremes de pastelaria e recheios e 1 trabalho individual
Preparação de cremes de pastelaria e recheios
Quando iniciei o módulo de cremes de
pastelaria e recheios de 25 horas, já tinha algumas noções como se procedia na
confecção de alguns cremes, como foi o caso do chocolate e o chantilly.
No caso do chocolate, é só derrete-lo em
banho-maria e retira-lo do lume.
Este, se no caso ficar um pouco rijo, é
só meter um pouco de natas ou óleo e mexer.
Já no chantilly, o procedimento é bater
as natas dos pacotes de 200ml e, por cada pacote, acrescento uma colher de chá
de açúcar.
No que respeita a outros cremes e recheios, desconhecia por completo.
Com a breve explicação do formador
Domingos Cruz, ficou tudo tão claro para mim.
Comecei por aprender o que era a Calda
de açúcar.
Ora bem, a Calda consiste o açúcar ser
derretido no lume, com pouca quantidade de água, até atingir o ponto indicado
pela receita. Posso ainda aromatiza-lo com canela, limão ou vinho.
Aprendi a fazer o Caramelo, derreti o
açúcar com um pouco de água até a evaporação completa do líquido, por
conseguinte, este adquiriu uma cor dourada, mais ou menos com uma cor carregada após a sua
evaporação liquida.
Nas sessões seguintes, o formador,
Domingos Cruz, explicou-me os vários pontos de açúcar; é verdade que não os sei
todos de cor, mas com esta tabela abaixo, facilita-me imenso.
Como se pode constactar pela imagem
detalhada, são vários pontos de açúcar que aprendi em contexto real e nas
sessões de formação; à medida que o açúcar vai aquecendo no lume, vão surgindo
vários pontos de açúcar, em que vou verificando o açúcar, em um recipiente de
água que disponho ao meu lado. É só mergulhar uma pequena quantidade de
açúcar nesse recipiente, e vou ter a percepção como está o açúcar.
Ainda dentro desta temática, o formador,
Domingos Cruz, explicou-me como se procedia a cristalização do açúcar para
fazer pequenos desenhos ou até mesmo, mergulhar alguns doces, neste tipo de
calda já fervida.
De uma forma mais simples de o explicar,
relembro-me que, depois do açúcar ser submetido a um
processo de destruição dos microrganismos, como a fervura, os alimentos são
mergulhados nesta substância açucarada até ficarem saturados.
Geralmente, estes alimentos
apresentam-se com uma cobertura uniforme de açúcar (o chamado glacé) ou com
pequenos cristais (frutas cristalizadas).
Quando o nosso formador, Domingos Cruz,
citou que o meu grupo ia fazer a ganache, não fazia a mínima ideia do que se
tratava.
Nada como uma breve explicação teórica e
prática que não se resolvesse.
Portanto, a ganache é um creme de
chocolate liso, macio e brilhante, usamos para cobrir e rechear bolos, bombons,
trufas e petit fours. É preparada com chocolate e creme de leite ou manteiga, tendo
uma consistência cremosa e aveludada. A manteiga confere uma textura mais macia
e fácil para trabalhar, ideal para ser usada como recheio de bolos.
O chocolate é o ingrediente principal da
ganache, sendo fundamental usar um chocolate de boa qualidade para conseguir
bons resultados.
Em quase todas as sessões de formação,
fizemos o creme de pasteleiro, este é um recheio com consistência relativamente
espessa e cor amarela, usado numa grande variedade de doces e bolos, tais como
as Bolas de Berlim ou os Mil-folhas.
O creme de pasteleiro é feito à base de
açúcar, água, farinha, gemas e claras, leite, limão, baunilha e manteiga.
Há quem substitua o creme de pasteleiro
por chantilly, mas os dois são muito diferentes, sendo que o chantilly vai
mudar fundamentalmente o sabor do doce.
Estes foram apenas alguns do cremes e
recheios que confeccionámos nas sessões de formação na componente prática.
Lembro-me que, no final do módulo, também
aprendemos a fazer os fios de ovos, é só levar ao lume um tacho com 500 gramas
de açúcar fino e 1250 dcl de água. Por cada 100 gr de açúcar são cerca de 250ml
de água. Deixo ferver até obter o ponto de fio.
Coloco sobre a calda uma chávena de café
de farinha para fazer espuma, depois, misturo e passo as 11 gemas e um ovo inteiro, duas vezes,
por um passador de rede. De seguida, Coloco num funil próprio e deixo cair em
fio sobre a calda já fervida, fazendo movimentos circulares.
Deixo cozer, durante alguns segundos;
retiro-os com o auxílio de uma escumadeira. Passo os fios, de imediato, numa
calda fria coberta de gelo e deixo arrefecer. Escorro os fios de ovos num passador de rede e,
já está.
É de relembrar que fizemos também, doce
de ovos, manteiga fresca, fundant, creme russo, entre outros.
Contudo, a preparação de cremes de
pastelaria e recheios começou no século XVII, a rainha Catarina de Médicis
casou-se com um rei francês e quando se mudou para o reino do marido, Henrique
II, levou consigo da Itália, uma equipa de cozinheiros especialistas em doces,
eles difundiram na corte francesa os bolos decorados que depois ficaram famosos
em toda a Europa.
Por todo continente europeu, o bolo
decorado tornou-se um símbolo das ricas cortes e do poder económico que os integrantes
tinham. Os ingredientes eram muito caros e os esforços que precisavam reunir
para fazer um único bolo eram impossíveis para um cidadão comum daquela época,
afinal não havia máquina que facilitasse o preparo da massa, por exemplo.
Os ingredientes também não eram
sofisticados como hoje, a manteiga era muito grossa, o fermento precisava de
ser preparado dias antes do bolo ser feito, exigia muito cuidado e atenção e o
açúcar era quase raro.
No século XIX, alguns pasteleiros
europeus viraram verdadeiras celebridades, as inovações nas receitas e
decorações de bolos foram enormes nessa época. Alguns desses cozinheiros
registraram receitas inovadoras e exclusivas que são utilizadas e fazem muito
sucesso até hoje. Desenvolveram técnicas de confecção de decorações de açúcar,
a pasta americana e o glacé, que fez muito sucesso.
Já no último século, as técnicas de
enfeitar bolos tornaram-se mais acessíveis, foram renovadas e continuam
evoluindo. As facilidades tecnológicas ajudaram na popularização dos bolos na
sociedade, hoje, sem dúvida, pode-se fazer um bolo muito mais rapidamente do
que há cinquenta anos, os ingredientes são mais baratos e vem praticamente
prontos para uso. Enfeitar os bolos também é muito mais fácil, temos uma
infinidade de opção para fazê-lo e podemos afirmar que são ainda mais gostosos.
Não são só as coberturas de bolo que o
complementam, os recheios também são muito importantes, um simples bolo ganha
sofisticação e sabor, quando bem recheado. Como nas coberturas, existe uma
infinidade de recheios que fazem sucesso, o mais conhecido, com certeza, é de
chantilly, mas há ainda o de ameixa, chocolate, coco e abacaxi que são muito populares.
O chantilly é uma emulsão de creme de
leite, é formado ao bater esse ingrediente puro, mas pode-se combinar com
diferentes essências para ganhar sabor diferenciado. O inventor desse
complemento foi o cozinheiro do monarca Luiz XV, François Vatel, que o fez
pensando em agradar o rei da França. Ele conseguiu esse resultado batendo leite
com açúcar para enfeitar os doces que fazia para a corte no Castelo de
Chantilly.
A receita agradou a corte francesa e se
espalhou, até hoje é muito usada como recheio, mas utilizamos o creme de leite,
que dá muita facilidade em relação a receita original.
Os bolos de aniversário são os mais
complementados, geralmente, para que fiquem mais gostosos os recheios são
acrescentados, a massa é feita de forma mais simples para que o recheio e a
cobertura se destaquem. Um dos recheios mais requisitados é o de ameixa, o bom
é que a cobertura, nesse caso, pode ser mais neutra que o glacé, por exemplo.
A tradição de revestir bolos com glacé
teve início no século XIX, quando os pasteleiros começaram a desenvolver
técnicas para enfeitar os bolos para agradar as moças das cortes europeias.
O glacé era confeccionado quase como uma
obra de arte feita de açúcar, os pasteleiros serviam aos gostos dos nobres,
pois eram os únicos que podiam desfrutar desses doces. Naquela época, os glacés
eram muito mais consistentes do que os de hoje, dizem que essa consistência deu
origem ao costume dos noivos cortarem o bolo juntos, pois a noiva precisava de
ajuda para consegui partir a primeira fatia.
Durante muito tempo, o glacé foi a
cobertura mais requisitada para os bolos de festas em casamentos, actualmente a
pasta americana tomou seu lugar, afinal é mais maleável, porém, o glacé ainda
faz muito sucesso, ainda mais porque pode-se fazer em casa, é prático e rápido,
uma cobertura que agrada a muita gente e dá um ar de sofisticação a qualquer
bolo, principalmente em datas especiais.
As coberturas de marshmalow, massa
elástica e pasta americana são uma espécie de aprimoramento do glacé real, são
todos feitos com uma quantidade considerável de açúcar e dão ar sofisticado aos
bolos, a pasta americana funcionam como uma massa de modelar, permite ao
pasteleiro que a utiliza, usar a criatividade e dar infinitas formas a essa
massa de açúcar.
Já na história dos ovos nos doces
portugueses, a tradicional doçaria lusitana conta com muitos doces amarelos.
Essa cor de ouro de muitos quitutes (salgados e doces) portugueses é
consequência do frequente uso de gemas de ovos nas receitas.
A maioria desses doces são frutos da
doçaria conventual portuguesa, ou seja, foram criados em conventos pelas
freiras. Por volta do século XV havia muitos conventos em Portugal, e o país
era um dos maiores produtores de ovos do mundo.
Porém, os ovos nos conventos, antes de
serem usados para o preparo de doces tinham outra função. As freiras usavam as
claras para engomar seus hábitos. Consequentemente acabavam sobrando muitas
gemas. Então, com a chegada e popularização do açúcar proveniente de suas
colónias, foi possível inovar nas receitas e finalmente utilizar também as
gemas. A partir daí, surgiram as mais diversas, deliciosas tradicionais
receitas: ovos-moles, fios de ovos, toucinho-do-céu, e muitas outras.
Os doces fizeram muito sucesso naquela
época, como consequência, passaram também a ser produzidos fora dos conventos,
e foram se consagrando de geração em geração. Hoje, fazem sucesso em todo o
mundo e contam a história de Portugal da forma mais doce possível loool (-_-).












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