Designação da UFCD: Higiene e Segurança Alimentar
Código: 3296
Carga Horária: 25 horas
Objectivos
Desenvolver os procedimentos adequados para as boas práticas de higiene na produção/confeção dos alimentos.
Método de avaliação: 2 trabalhos individuais e 2 fichas de avaliação
Higiene e Segurança Alimentar
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Notícia
Mafra: 40 pessoas intoxicadas por bivalves
Mafra
Quarenta casos de intoxicação pelo consumo de bivalves
[ 09 | 04 | 2012 ] – [ 12.40 h ]
Figura 1 – Ameijoas
Figura 2
– Vários Bivalves
Quarenta pessoas deram entrada no Serviço de Atendimento Permanente do
Centro de Saúde de Mafra, durante o fim de semana, com intoxicações alimentares
devido ao consumo de bivalves, disse hoje a delegada de saúde local.
"Houve um maior afluxo à urgência, com 40 pessoas que tiveram em
comum sintomas da síndrome DSP como a diarreia, vómitos e dores abdominais, que
ocorrem poucas horas após a ingestão dos bivalves”, afirmou à agência Lusa
Noémia Gonçalves.
As análises efectuadas pelo Instituto das Pescas da Investigação e do
Mar (Ipimar) as amostras de bivalves deram resultados positivos a biotoxinas ASP
e DSP nas referidas espécies de bivalves.
A mesma fonte adiantou que a maioria das pessoas reside
na Ericeira e que os bivalves terão sido adquiridos num hipermercado em Mafra.
A delegação de saúde pública está a tentar detectar o local de origem
dos bivalves para tomar medidas, que poderão passar pela interdição da apanha.
Figura 3
– Ostra
Figura 4 – Microalgas causadoras de HABs:
a)
Noctiluca
scintillans, causadora de maré vermelha
b)
Dinophysis
acuta, produtora de DTXs e PTXs
c)
Gymnodinium
catenatum, produtora de PSP
d) Pseudonitzs-chia spp.
Produtora de ASP
Figura 5
- Estrutura química do ácido ocadaico
R1 = CH3, R2 = H; DTX1: R1 = R2 = CH3; DTX2: R1 = H,
R2 = CH3; ‘DTX3’:
R3 = acilo. Nas restantes, R3 = OH
Figura 6
- Estrutura química da pectenotoxina
As enterotoxinas são
produzidas principalmente por dinoflagelados dos gêneros Dinophysis e
Prorocentrum.
Os vetores mais
importantes são os mitilídeos (mexilhões) e os pectinídeos (vieira).
Figura
7
– Toxina
A principal substância responsável pela intoxicação por ASP (amnesic
shellfish poisoning, síndrome amnésico por marisco) é o ácido domoico,
sintetizado por certas espécies de diatomáceas.
Questionário de Aferição de conhecimentos
1 – Onde ocorreu
a notícia?
A notícia ocorreu no Serviço
de Atendimento Permanente do Centro de Saúde de Mafra.
2 – Quantas
pessoas foram envolvidas?
Nomeadamente foram 40
pessoas envolvidas.
3 – Quais os
sintomas apresentados?
Os sintomas
apresentados foram a diarreia, vómitos e dores abdominais.
4 – Quais os
alimentos que poderão ter sido responsáveis?
Os alimentos que
poderão ter sido responsáveis foram a ingestão de moluscos contaminados por
toxinas DSP e biotoxinas ASP.
Contudo, esta toxina
diarreica (DSP) tem um ácido ocadaico (OA), associado à ocorrência de
Dinophysis acuminata que se encontra no plâncton.
Já no aparecimento de
biotoxinas ASP é relativamente habitual quando as águas aquecem. Contudo, as biotoxinas marinhas
são compostos químicos produzidos por algumas microalgas. Estes compostos
acumulam-se nos bivalves quando estes retêm as microalgas tóxicas no seu
processo de filtração.
5 – Quais as
regras de higiene e segurança alimentares que deveriam ter sido cumpridas para
evitar este acontecimento?
No meu ponto de vista,
as regras que deveriam ter sido cumpridas para evitar este tipo de
acontecimentos na compra destes produtos alimentares, é que os fornecedores devem
ser qualificados e têm que ser da minha confiança, devem fornecer-nos um
comprovativo de implementação do sistema de higiene e segurança alimentar
baseado nos princípios do HACCP.
Porém, todas as
embalagens de moluscos bivalves vivos destinados à venda a retalho directa
devem permanecer fechadas por um centro de expedição aprovado até serem
apresentadas para venda ao consumidor final.
A outra, é haver pescadores
particulares que andam a apanhar mesmo com a interdição, apesar de ser ilegal,
torna-se um risco para a saúde pública para quem os consome.
Há que evitar o
consumo de moluscos em locais onde há concentração ou crescimento excessivo de
algas e, ainda, proibir a pesca em áreas de risco.
No caso da recepção, o
operador que recebe a mercadoria tem que ser responsável por todo o controlo da
qualidade e segurança dos alimentos recepcionados, e deve receber formações
contínuas de HSA para entender melhor certas especificações técnicas impostas
pela ASAE e pelo HACCP entre outras.
Além disso, devemos verificar
se as embalagens estão danificadas e se a temperatura está abaixo dos 5ºC, não
esquecendo que estes devem ter um leve cheiro a mar e que não apresente falta
de brilho ou uma textura inadequada.
Quanto à sua rotulagem,
este deve ter em conta o nome do produto, temperatura, prazo de validade e data
de limite de utilização e lote.
Por outro lado, para
uma boa verificação tenho que ter uma ficha de controlo/inspecção de recepção (Check
List), ou seja, uma para veículos e outra para os alimentos para nós nos regularmos
conforme os critérios baseados em HACCP e pela Autoridade de Segurança
Alimentar e Económica (ASAE).
Devo salientar, para que
os veículos tragam os produtos em perfeitas condições, o estado de higiene/
limpeza tem que ser fundamentais; tais como, poeiras, sujidades, estrutura assim
como, divisórias com espaços para cada produto e um sistema de frio a funcionar
correctamente, entre outros pormenores técnicos.
Já na parte da
conservação/armazenamento, deve-se ter em conta a arcas ou câmaras frigoríficas
apropriadas para os bivalves, condições de higiene no local de armazenamento, divisórias
para cada espécie, sacos plásticos transparentes e não podemos colocar os
produtos directamente no chão e, estes, devem ser afastados das paredes e
tectos.
Quanto à temperatura
dos bivalves, esta deve rondar entre 0º e 5ºC e, claro, cumprir a regra FIFO na
rotação de stocks, ou seja, o produto mais antigo é o primeiro a sair.
Na preparação, a
higiene pessoal é fundamental a fim de evitar contaminação cruzada (directa-
espirros, mãos sujas e indirecta- faca, tábua e afins) e os moluscos não podem
estar a mais de 30 minutos expostos à temperatura de risco.
Devo dizer que, as
bancadas devem ser em Aço Inox e, após cada utilização, devo desinfecta-la,
além disso, tenho que lavar todos os utensílios que foram utilizados.
Quanto à sua
confecção, os moluscos devem ser confeccionados próximo do momento a serem
servidos, porém, tenho que controlar o tempo e a temperatura de confecção e não
congelar os produtos já confeccionados.
É de salientar que, os
bivalves, podem precisar de serem depurados ou apenas fervidos para que o seu
consumo não implique riscos para a saúde do consumidor.
Contudo, se a conchas
dos bivalves estiverem danificadas ou mal abertas após a sua confecção, não
devemos, de maneira alguma, os considerar seguros para comer.
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